sábado, 2 de abril de 2011

Aceitação X Se Conformar

 

aceitação 22

 

“Existe uma maneira certa e produtiva, e uma maneira errada e destrutiva de aceitar e de rejeitar as frustrações da vida. O tipo certo de aceitação traz também, automaticamente, o tipo certo de rejeição da frustração. A aceitação certa é a consciência e a disposição em ver que cada situação ruim é produzida pelo próprio eu e voluntariamente tirada do campo de visão. Portanto, é preciso agüentar o resultado com coragem e sem auto leniência. A atitude então passa a ser que é preciso pagar pelos erros e que esse pagamento não é uma exigência injusta da vida. Essa atitude nunca é negativa e sem esperança, mas, ao contrário, leva ao tipo certo de rejeição do sofrimento. De fato, a pessoa expressa essa atitude na vida: "Não preciso sofrer pelo resto da vida. Estou disposto, de todo coração e com todo o empenho, a descobrir a causa e mudá-la. Portanto, sei que a vida pode proporcionar a satisfação que desejo e mereço, tanto mais que ajo como um adulto que não reivindica nenhum favor especial por sua ignorância e destrutividade.” Essa atitude concilia a aceitação certa com a rejeição da frustração certa.

 

A aceitação errada da frustração leva à rejeição errada da frustração e vice-versa. Quando a frustração é dramatizada e transformada em aniquilamento, como o “fim do meu mundo”, em pouco tempo isso se torna tão convincente que esse estado de espírito efetivamente parece confirmar essa realidade, e a pessoa consegue enumerar razões para justificar essa aparência. Enquanto isso, a personalidade diz: “Recuso-me a sofrer qualquer decepção. Preciso ter o que quero sempre, na mesma hora, exatamente à minha maneira, caso contrário vou achar que estou sendo perseguida.” Essa negação da responsabilidade por si mesmo leva a uma falsa aceitação, ou seja, desesperança, resignação, tristeza. Quando uma pequena e momentânea frustração, dificuldade ou decepção é transformada em tragédia e induz a pessoa a uma perspectiva negativa da vida em si, existe uma aceitação destrutiva. Se um episódio desagradável é transformado em catástrofe (apenas nas reações emocionais, que podem não ser expressas abertamente), a vontade rígida do eu, a insistência inflexível, a arrogância com que a pessoa exige um tratamento especial por parte da vida, e a distorção exagerada que transforma a dificuldade em insuperável e irremediável – em suma, a vontade do eu, o orgulho e o medo – geram na alma um clima sombrio e a dissensão. Eles desunem e ampliam a divisão dualista. É sempre fácil se perder em dois opostos, que são ambos errados quando parecem opostos reais. Isso é claramente ilustrado aqui. A aceitação e a rejeição da frustração não são opostas, mas podem ser uma bonita unidade. A atitude que passa a existir com base nessa unidade expressa tudo que é compatível com a natureza da vida. Cria um estado de descontração e confiança. Nega o tratamento especial injusto. Tem humildade e generosidade no sentido de afastar a tentação de jogar o mesmo velho jogo de sentir-se vítima e acusador.

 

Dessa maneira, vocês se tornam ativos e, ao mesmo tempo, receptivos, de modo que a substância criativa pode começar a brotar de vocês. Para vocês, estará superada a limitação da vida. Quando existe essa combinação certa da maneira certa de aceitar e rejeitar a frustração da vida, vocês têm domínio de si mesmos. São seus verdadeiros donos. E inversamente, quando vocês adotam a mistura errada e aceitação e rejeição de uma frustração da vida, vocês se afastam de si mesmos. Ficam descentralizados, pois a combinação errada automaticamente desativa suas melhores e mais íntimas forças. A negatividade assim gerada paralisa tudo que em vocês é essencial para a verdadeira identidade.”

( O Guia. Palestra 179: REAÇÕES EM CADEIA NA DINÂMICA DA SUBSTÂNCIA CRIATIVA DA VIDA)

 

Esse trecho da palestra para mim foi muito esclarecedor. Antes mesmo de encontra o pathwork eu já havia lido em outros lugares sobre a importância da aceitação. Isso me deixava confusa porque para mim eu já aceitava certas coisas. Mas isso não me parecia bom.

Através do pathweork eu entendi que eu tinha uma espécie de aceitação improdutiva. Um exemplo: Eu aceitei o fato de que nunca teria amigos de verdade. Ora isso na verdade não é uma aceitação é uma desistência… Não há esperança em mudar a situação ela é vista como imutável. Essa aceitação na verdade não é aceitação é desesperança…

Aceitação é a pessoa dizer a si mesmo: “sei que no momento não tenho amigos. Aceitarei isso como resultado de alguma falsa crença dentro de mim. Mas não precisa ser assim a vida toda. Vou olhar para dentro de mim e descobrir o que me bloqueia. Com isso poderei adotar novas atitudes e conseguir resultados mais satisfatórios”

Isso é aceitação é não se revoltar  com  a manifestação materializada dos nossos conflitos internos. E saber que ao trabalharmos o nosso interior a situação mudará. E isso é bem diferente de achar que uma situação é imutável e se conformar com ela…

2 comentários:

  1. Olá Luciana.
    Post divulgado na Teia.
    Até mais

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  2. Poxa, muito esclarecedora essa palestra!
    Bjs

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