domingo, 20 de março de 2011

A Auto Imagem Idealizada

 

mascara

 

“Na infância, não importa quais tenham sido as circunstâncias particulares, você foi doutrinado com admoestações sobre a importância de ser bom, de ser santo, de ser perfeito. Quando isso não ocorria, você era frequentemente castigado , de uma forma ou outra.

Talvez o pior castigo tenha sido o fato de seus pais afastarem de você o seu afeto; eles ficavam zangados e você tinha a impressão de que não era mais amado. Não é de se estranhar que  a “maldade” fosse associada ao castigo e a “bondade com a recompensa e felicidade. Portanto ser “bom” e ”perfeito” tornou-se um imperativo; tornou-se uma questão de vida ou morte para você.

Mesmo assim, você sabia perfeitamente bem, que não era tão bom e tão perfeito quanto o mundo parecia esperar que você fosse. Isso tinha de ser escondido; transformou-se num segredo carregado de culpa. Foi assim que você começou a construir um falso eu. Este era, pensava você, a sua proteção e o seu meio de conseguir tudo aquilo que você desesperadamente queria – Vida, felicidade e auto confiança.

A consciência dessa frente falsa começou a desaparecer, mas você foi e é permanentemente permeado pela culpa de fingir que é alguém que não é. Você luta cada vez mais para tornar-se esse falso Eu, esse Eu idealizado. Você estava , e inconscientemente ainda está convencido de que , caso se esforce o suficiente, um dia será esse eu, Mas esse processo artificial de forçar-se a ser algo que não é jamais será capaz de atingir o auto-aperfeiçoamento, uma ato purificação e crescimento genuínos, porque você começou a construir um eu irreal sobre um alicerce falso, deixando de fora o seu Ei verdadeiro. De fato , você o está tentando esconder desesperadamente.

( O Guia. Livro: Não temas o mal – O método Pathwork  para a transformação do Eu Inferior. Capitulo 8: A Auto- imagem idealizada)

Eu adoro o pathwork  principalmente pelo fato de que quando eu  leio alguns trechos muitas coisas em minha vida começam a fazer sentido. As vezes os textos ativam memorias adormecidas. E este foi um deles. Vou contar o que eu me lembrei. Foi algo simples. Que me levou a uma conclusão errônea. E essa conclusão afetou toda a minha vida…

Eu tinha uns 8 ou 9 anos.  Fui fazer texte para a natação. Eu já sabia nadar todos os estilos. Mas antes de mim uma outra menina, acho que mais velha do que eu foi fazer o teste. E ela não colocava a cabeça na água. E então eu virei para a minha mãe e disse: Olha ela, nem coloca a cabeça na água. E ri. Minha mãe me repreendeu na hora. E a repreensão estava correta.

No entanto em minha cabeça infantil, eu achei aquela repreensão a maior que eu tinha recebido. me senti muito mal e me senti culpada.  Então eu tomei uma decisão. Eu nunca mais iria rir de ninguém. Não importa quem fosse. Não importava nem mesmo o que fizessem comigo. E nisso estava embutido não me defender de doações. Ser boa o tempo todo com todos. Não importa se eles era bons comigo ou não.

Ao lembrar disso tudo fez sentido. Porque esse rir estava no sentido de humilhar. E na minha cabeça eu me defender das zoações seria de certa forma humilhar. E eu não podia fazer isso . Fosse como fosse.  Eu tinha de ser boa com todos.  Foi a conclusão que eu tirei daquele episodio. Custe o que custasse. Não sei se foi aí que começou , mas contribuiu muito para a formação da submissão em mim.

Eu tinha dificuldade em me afirmar porque tinha medo de ser agressiva demais e eu tinha de ser boa. Hoje eu sei que ser boa não significa se deixar ser humilhada…

3 comentários:

  1. Adorei esse texto do pathwork!
    De repente foi nesse episódio que começou todo esse processo de repressão dos sentimentos e sentimento de incapacidade.
    Ainda bem que somos adultas e temos sempre a opção de escolher novas crenças mesmo muitas vezes ser uma tarefa difícil.
    Bjs

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  2. Olá Luciana.
    Publiquei seu post na Teia.(Só não esqueça da revisão nos texto,erros de grafia podem tirar sua credibilidade)
    Até mais.

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  3. Muito bom texto,pois na infância somos influenciados por tantas coisas boas, porém, por tantas atrocidades também, que há que se recuperar certos caminhos ao longa da nossa fase adulta...
    Abraços

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