segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Amor/submissão

submissão

 

Hoje darei uma pequena explicação antes de colocar o trecho da palestra afim de facilitar o entendimento das pessoas que não estão familiarizadas com o pathwork. No pathwork há o que o Guia chama de auto imagem idealizada. Eu gostaria de falar sobre os 3 tipos básicos de auto imagem idealizadas. Mas antes preciso definir isso. srsrs. A auto imagem idealizada é uma idéia de como achamos que deveríamos ser. Ela foi construída a fim de passarmos uma boa imagem e sermos aceitos.  E tentamos a todo custo corresponder aos padrões dessa imagem idealizada. Acontece que , normalmente, esses padrões são muito rígidos e impossíveis de se manter. E toda vez que não conseguimos manter esses padrões caímos aos nossos próprios olhos. Uma das formas que a auto imagem idealizada se manifesta´são na distorção do amor, do poder , e da serenidade. Falarei sobre cada um deles . Começando pela distorção do a mor: A submissão. Segue abaixo a explicação dessa distorção:

 

“Uma dessas pseudo-soluções é o amor. O sentimento é: "se ao menos eu fosse amado, tudo estaria bem". Em outras palavras, espera-se que o amor resolva todos os problemas. É desnecessário dizer que isto não é verdadeiro, especialmente quando se considera a maneira como esperamos que esse amor seja dado, quando, na realidade, tal pessoa - com distorções - dificilmente será capaz de experienciar o amor.

A fim de receber amor, tal pessoa desenvolve várias tendências e padrões típicos da personalidade, de comportamento e reação internos e externos e, conseqüentemente, torna-se mais vulnerável e mais fraco do que já é.

Ele aprende características cada vez mas auto-destrutivas a fim de obter amor e proteção; tudo isto parece salvá-lo da aniquilação. Ele obedece às exigências reais ou imaginárias das outras pessoas. Ele se humilha e se submete a ponto de vender sua alma para receber aprovação, simpatia, ajuda e amor.

Inconscientemente, acredita que ao afirmar seus desejos e suas necessidades perderá o único valor que reconhece na vida: o de ser cuidado como se fosse uma criança - não necessariamente em termos financeiros, mas emocionalmente.

Assim ele, artificialmente (em última análise) , desonestamente, proclama uma imperfeição, uma desesperança, uma submissão que não são genuínas. Ele as usa como uma arma e como um meio de, finalmente, vencer e dominar a vida.

A fim de continuar inconsciente desta falsidade, estas tendências tornam-se a sua Auto Imagem idealizada, ou uma parte dela. Ele se convence de que todas estas tendências são sinais de sua "divindade", "santidade" e "altruísmo".

Quando se "sacrifica", a fim de, finalmente, ter um protetor forte e amoroso, ele se orgulha de sua capacidade de sacrifício altruísta. Se orgulha da sua "modéstia" em nunca reivindicar reconhecimento, realização e força.

Conseqüentemente, espera forçar o outro a sentir-se amoroso e protetor com relação a ele. Existem muitíssimos aspectos desta pseudo-solução. Meticulosamente, eles devem ser encontrados no trabalho que vocês estão realizando.

Não é fácil detectá-los posto que estas atitudes estão profundamente arraigadas. Elas parecem tornar-se partes de sua natureza. Além do mais, a mente pode transformá-las em necessidades, aparentemente, reais.

E, por último, mas muito importante, elas são sempre frustradas pelas tendências diametralmente opostas das outras pseudo-soluções que, também, estão presentes apesar de, provavelmente, não serem predominantes.

Da mesma maneira, os outros tipos encontrarão aspectos dessa submissão na sua psique. Varia de indivíduo para indivíduo a extensão da predominância desta pseudo-solução e, também, a extensão da "contra-ação" oferecida pelas outras "soluções"

A pessoa com atitudes predominantes de submissão terá mais dificuldades na descoberta do orgulho que prevalece nestas atitudes. O orgulho, nos outros tipos, está bem na superfície. Pode haver orgulho do próprio orgulho; pode haver orgulho da própria agressividade e do cinismo.

Mas, uma vez que se enxerga isso, então não poderá ser disfarçado com "amor", ou qualquer atitude "santa". O tipo submisso terá de olhar com profundo discernimento para as tendências a fim de ver como as idealizou.

Pode descobrir uma reação de indiferença crítica e desprezo por todos aqueles que tentam se impor sobre ele, não apenas com a agressividade da distorção do poder, mas até mesmo com assertividade saudável.

Ele pode, ao mesmo tempo, admirar e invejar aquilo que despreza e sente-se superior em termos de "desenvolvimento espiritual" e "padrões éticos". Ele pode melancolicamente pensar, ou dizer, "se eu pudesse ser assim, eu iria muito mais longe na vida" mas, ao fazê-lo, reforça sua "divindade" que o impede de conseguir aquilo que as pessoas "menos divinas" obtém.

Assim, ele se sente orgulhoso do seu martírio auto-sacrificante e apenas um bom insight da natureza real destes motivos revelará o egoísmo e egocentrismo fundamental que prevalece nesta atitude, bem como em outras.

Orgulho, hipocrisia e pretensão estão presentes em todas essas atitudes quando incorporadas à Auto-Imagem idealizada. O tipo submisso terá maior dificuldade em descobrir o orgulho, ao passo que o tipo agressivo terá dificuldades para descobrir a pretensão. Isso porque ele finge uma "honestidade" quando é cruel, cínico e ao agir com seu desejo de tirar vantagem.

A necessidade do amor protetor tem uma certa validade para a criança mas, se esta atitude permanece na maturidade não mais será válida. Nesta busca de ser amado, além da ânsia do prazer supremo, está o aspecto de "eu devo ser amado, para que eu possa acreditar no meu próprio valor. Então, poderei retribuir o amor". É, em última instância, um desejo auto centrado e unilateral. Os efeitos desta conjuntura são graves.

Em primeiro lugar, a necessidade de tal amor e dependência torna a pessoa vulnerável. Ela não cultiva a faculdade de se sustentar sobre os próprios pés. Pelo contrário, usa toda sua força psíquica para viver o seu ideal ao máximo, forçando as pessoas a suprir as suas necessidades.

Em outras palavras, ela obedece para que as outras pessoas obedeçam: submeter-se a fim de dominar; ainda que essa dominação se manifeste sempre de maneira suave, fraca e vulnerável.
Não é atoa que uma pessoa que age assim se afaste do seu Eu Real. Seu Eu Real deve ser negado, pois a expressão dele evidencia atrevimento e agressividade e isso tem que ser evitado a todo o custo.

Mas, a indignidade imposta sobre a individualidade pela auto negação, aparece como desprezo e desqualificação de si mesmo. Como isto é doloroso, além de ser contrário à Auto-Imagem idealizada, que preconiza o "auto-apagamento" como virtude suprema, isso deve ser projetado nos outros.

Tais emoções de desprezo e ressentimento pelos outros, por outro lado, contradiz o padrão do Eu idealizado. Conseqüentemente, elas devem ficar escondidas. Tudo isto gera uma inversão e tem sérias repercussões sobre a personalidade, manifestando-se, também, em sintomas físicos de todos os tipos.

Raivas, fúria, vergonha, frustração, auto desprezo e ódio de si mesmo, existem por duas razões. Em primeiro lugar, existem pela negação do seu Eu Real, pela indignidade de não se expressar como em realidade se é. Então se acredita que o mundo nos evita, abusa e tira vantagem de nossa "sanidade". Isto é projeção.

Em segundo lugar, existem porque se é incapaz de viver de acordo com as imposições do Eu idealizado, que exige que nunca se fique ressentido, se despreze, se desgoste, se culpe ou se encontrem faltas nos outros, etc. Como resultado, não somos tão "bons" quanto deveríamos ser.
Em resumo, este é o quadro de uma pessoa que escolheu "amar" com todas as subdivisões de compaixão, compreensão, perdão, união, comunicação, irmandade, sacrifício, como solução rígida e unilateral.

Esta é uma distorção do atributo divino. A Auto-Imagem idealizada, deste tipo terá padrões e imposições similares. Ele deve estar sempre "por baixo" nunca auto-afirmar-se, sempre abrir mão, nunca descobrir falhas nos outros, amar todo mundo, nunca reconhecer seus próprios valores verdadeiros e realizações e assim por diante.
A primeira vista, parece ser um quadro bastante "santo" mas, meus amores, isto não é senão a caricatura do verdadeiro amor, da compreensão, perdão e compaixão. O veneno dos motivos subjacentes distorce e destrói aquilo que poderia ser realmente genuíno.”

( O guia. Palestra 84: AMOR, PODER E SERENIDADE COMO ATRIBUTOS DIVINOS E COMO DISTORÇÕES)

 

Me lembro da primeira vez que li essa palestra. Principalmente dessa parte que fala da submissão. Eu me senti péssima. Afinal eu me vi em quase tudo. Eu tinha fixação por ser boa. ter apenas bons e nobres sentimentos. Mas essa palestra me ajudou a perceber que muito desse desejo era apenas para ser aceita. Não era que eu realmente me importasse muito com outro. Na verdade era simples barganha. Era tentar dar o que o outro quer para conseguir o amor do outro.

Era tentar ser a filha perfeita e obediente para ser aceita pelos pais. Era tentar ser a melhor das amigas, ser compreensiva sempre para conseguir a amizade do outro.  Então quando eu descobri isso tive uma grande decepção comigo mesma. srsrsrs

E eu realmente raramente me afirmava. Pois o outro poderia me achar metida. E eu não queria correr o risco do outro me achar vaidosa se eu me elogiasse.

Mas hoje eu sei que não se conquista nenhuma amizade com barganha. Hoje eu procuro simplesmente ser eu mesma. Independente disso agradar o outro ou não. E agora sim eu encontro pessoas que me respeitam. Antes não. Ninguém poderia me respeitar como eu era. Pelo simples fato de que ninguém me conhecia. Já que eu só mostrava uma mascara e não quem era na verdade.

Um comentário:

  1. É preciso olhar verdadeiramente para nós mesmos para perceber estes comportamentos condicionados do "amor", que, nesse caso, não é realmente Amor. E quando nos olhamos e temos compaixão por nós mesmos, sem ter vergonha ou culpa, podemos realmente nos amar para então amar o outro sem barganhas.

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