segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Amor/submissão

submissão

 

Hoje darei uma pequena explicação antes de colocar o trecho da palestra afim de facilitar o entendimento das pessoas que não estão familiarizadas com o pathwork. No pathwork há o que o Guia chama de auto imagem idealizada. Eu gostaria de falar sobre os 3 tipos básicos de auto imagem idealizadas. Mas antes preciso definir isso. srsrs. A auto imagem idealizada é uma idéia de como achamos que deveríamos ser. Ela foi construída a fim de passarmos uma boa imagem e sermos aceitos.  E tentamos a todo custo corresponder aos padrões dessa imagem idealizada. Acontece que , normalmente, esses padrões são muito rígidos e impossíveis de se manter. E toda vez que não conseguimos manter esses padrões caímos aos nossos próprios olhos. Uma das formas que a auto imagem idealizada se manifesta´são na distorção do amor, do poder , e da serenidade. Falarei sobre cada um deles . Começando pela distorção do a mor: A submissão. Segue abaixo a explicação dessa distorção:

 

“Uma dessas pseudo-soluções é o amor. O sentimento é: "se ao menos eu fosse amado, tudo estaria bem". Em outras palavras, espera-se que o amor resolva todos os problemas. É desnecessário dizer que isto não é verdadeiro, especialmente quando se considera a maneira como esperamos que esse amor seja dado, quando, na realidade, tal pessoa - com distorções - dificilmente será capaz de experienciar o amor.

A fim de receber amor, tal pessoa desenvolve várias tendências e padrões típicos da personalidade, de comportamento e reação internos e externos e, conseqüentemente, torna-se mais vulnerável e mais fraco do que já é.

Ele aprende características cada vez mas auto-destrutivas a fim de obter amor e proteção; tudo isto parece salvá-lo da aniquilação. Ele obedece às exigências reais ou imaginárias das outras pessoas. Ele se humilha e se submete a ponto de vender sua alma para receber aprovação, simpatia, ajuda e amor.

Inconscientemente, acredita que ao afirmar seus desejos e suas necessidades perderá o único valor que reconhece na vida: o de ser cuidado como se fosse uma criança - não necessariamente em termos financeiros, mas emocionalmente.

Assim ele, artificialmente (em última análise) , desonestamente, proclama uma imperfeição, uma desesperança, uma submissão que não são genuínas. Ele as usa como uma arma e como um meio de, finalmente, vencer e dominar a vida.

A fim de continuar inconsciente desta falsidade, estas tendências tornam-se a sua Auto Imagem idealizada, ou uma parte dela. Ele se convence de que todas estas tendências são sinais de sua "divindade", "santidade" e "altruísmo".

Quando se "sacrifica", a fim de, finalmente, ter um protetor forte e amoroso, ele se orgulha de sua capacidade de sacrifício altruísta. Se orgulha da sua "modéstia" em nunca reivindicar reconhecimento, realização e força.

Conseqüentemente, espera forçar o outro a sentir-se amoroso e protetor com relação a ele. Existem muitíssimos aspectos desta pseudo-solução. Meticulosamente, eles devem ser encontrados no trabalho que vocês estão realizando.

Não é fácil detectá-los posto que estas atitudes estão profundamente arraigadas. Elas parecem tornar-se partes de sua natureza. Além do mais, a mente pode transformá-las em necessidades, aparentemente, reais.

E, por último, mas muito importante, elas são sempre frustradas pelas tendências diametralmente opostas das outras pseudo-soluções que, também, estão presentes apesar de, provavelmente, não serem predominantes.

Da mesma maneira, os outros tipos encontrarão aspectos dessa submissão na sua psique. Varia de indivíduo para indivíduo a extensão da predominância desta pseudo-solução e, também, a extensão da "contra-ação" oferecida pelas outras "soluções"

A pessoa com atitudes predominantes de submissão terá mais dificuldades na descoberta do orgulho que prevalece nestas atitudes. O orgulho, nos outros tipos, está bem na superfície. Pode haver orgulho do próprio orgulho; pode haver orgulho da própria agressividade e do cinismo.

Mas, uma vez que se enxerga isso, então não poderá ser disfarçado com "amor", ou qualquer atitude "santa". O tipo submisso terá de olhar com profundo discernimento para as tendências a fim de ver como as idealizou.

Pode descobrir uma reação de indiferença crítica e desprezo por todos aqueles que tentam se impor sobre ele, não apenas com a agressividade da distorção do poder, mas até mesmo com assertividade saudável.

Ele pode, ao mesmo tempo, admirar e invejar aquilo que despreza e sente-se superior em termos de "desenvolvimento espiritual" e "padrões éticos". Ele pode melancolicamente pensar, ou dizer, "se eu pudesse ser assim, eu iria muito mais longe na vida" mas, ao fazê-lo, reforça sua "divindade" que o impede de conseguir aquilo que as pessoas "menos divinas" obtém.

Assim, ele se sente orgulhoso do seu martírio auto-sacrificante e apenas um bom insight da natureza real destes motivos revelará o egoísmo e egocentrismo fundamental que prevalece nesta atitude, bem como em outras.

Orgulho, hipocrisia e pretensão estão presentes em todas essas atitudes quando incorporadas à Auto-Imagem idealizada. O tipo submisso terá maior dificuldade em descobrir o orgulho, ao passo que o tipo agressivo terá dificuldades para descobrir a pretensão. Isso porque ele finge uma "honestidade" quando é cruel, cínico e ao agir com seu desejo de tirar vantagem.

A necessidade do amor protetor tem uma certa validade para a criança mas, se esta atitude permanece na maturidade não mais será válida. Nesta busca de ser amado, além da ânsia do prazer supremo, está o aspecto de "eu devo ser amado, para que eu possa acreditar no meu próprio valor. Então, poderei retribuir o amor". É, em última instância, um desejo auto centrado e unilateral. Os efeitos desta conjuntura são graves.

Em primeiro lugar, a necessidade de tal amor e dependência torna a pessoa vulnerável. Ela não cultiva a faculdade de se sustentar sobre os próprios pés. Pelo contrário, usa toda sua força psíquica para viver o seu ideal ao máximo, forçando as pessoas a suprir as suas necessidades.

Em outras palavras, ela obedece para que as outras pessoas obedeçam: submeter-se a fim de dominar; ainda que essa dominação se manifeste sempre de maneira suave, fraca e vulnerável.
Não é atoa que uma pessoa que age assim se afaste do seu Eu Real. Seu Eu Real deve ser negado, pois a expressão dele evidencia atrevimento e agressividade e isso tem que ser evitado a todo o custo.

Mas, a indignidade imposta sobre a individualidade pela auto negação, aparece como desprezo e desqualificação de si mesmo. Como isto é doloroso, além de ser contrário à Auto-Imagem idealizada, que preconiza o "auto-apagamento" como virtude suprema, isso deve ser projetado nos outros.

Tais emoções de desprezo e ressentimento pelos outros, por outro lado, contradiz o padrão do Eu idealizado. Conseqüentemente, elas devem ficar escondidas. Tudo isto gera uma inversão e tem sérias repercussões sobre a personalidade, manifestando-se, também, em sintomas físicos de todos os tipos.

Raivas, fúria, vergonha, frustração, auto desprezo e ódio de si mesmo, existem por duas razões. Em primeiro lugar, existem pela negação do seu Eu Real, pela indignidade de não se expressar como em realidade se é. Então se acredita que o mundo nos evita, abusa e tira vantagem de nossa "sanidade". Isto é projeção.

Em segundo lugar, existem porque se é incapaz de viver de acordo com as imposições do Eu idealizado, que exige que nunca se fique ressentido, se despreze, se desgoste, se culpe ou se encontrem faltas nos outros, etc. Como resultado, não somos tão "bons" quanto deveríamos ser.
Em resumo, este é o quadro de uma pessoa que escolheu "amar" com todas as subdivisões de compaixão, compreensão, perdão, união, comunicação, irmandade, sacrifício, como solução rígida e unilateral.

Esta é uma distorção do atributo divino. A Auto-Imagem idealizada, deste tipo terá padrões e imposições similares. Ele deve estar sempre "por baixo" nunca auto-afirmar-se, sempre abrir mão, nunca descobrir falhas nos outros, amar todo mundo, nunca reconhecer seus próprios valores verdadeiros e realizações e assim por diante.
A primeira vista, parece ser um quadro bastante "santo" mas, meus amores, isto não é senão a caricatura do verdadeiro amor, da compreensão, perdão e compaixão. O veneno dos motivos subjacentes distorce e destrói aquilo que poderia ser realmente genuíno.”

( O guia. Palestra 84: AMOR, PODER E SERENIDADE COMO ATRIBUTOS DIVINOS E COMO DISTORÇÕES)

 

Me lembro da primeira vez que li essa palestra. Principalmente dessa parte que fala da submissão. Eu me senti péssima. Afinal eu me vi em quase tudo. Eu tinha fixação por ser boa. ter apenas bons e nobres sentimentos. Mas essa palestra me ajudou a perceber que muito desse desejo era apenas para ser aceita. Não era que eu realmente me importasse muito com outro. Na verdade era simples barganha. Era tentar dar o que o outro quer para conseguir o amor do outro.

Era tentar ser a filha perfeita e obediente para ser aceita pelos pais. Era tentar ser a melhor das amigas, ser compreensiva sempre para conseguir a amizade do outro.  Então quando eu descobri isso tive uma grande decepção comigo mesma. srsrsrs

E eu realmente raramente me afirmava. Pois o outro poderia me achar metida. E eu não queria correr o risco do outro me achar vaidosa se eu me elogiasse.

Mas hoje eu sei que não se conquista nenhuma amizade com barganha. Hoje eu procuro simplesmente ser eu mesma. Independente disso agradar o outro ou não. E agora sim eu encontro pessoas que me respeitam. Antes não. Ninguém poderia me respeitar como eu era. Pelo simples fato de que ninguém me conhecia. Já que eu só mostrava uma mascara e não quem era na verdade.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mudança de Identificação

ano_novo_blog

 

“Quando existe uma identificação secreta, embora parcial, com o eu inferior, abandona-la é semelhante a aniquilação. Para a parte da personalidade que é destrutiva, cruel, odiosa e rancorosa, isso parece o verdadeiro eu.  Tudo o mais parece irreal, talvez até mesmo falso, especialmente quando um verniz realmente falso é usado para encobrir a realidade do eu Inferior. O abandono do ódio, do rancor e das intenções negativas parecem o abandono do próprio ser. Essa auto-aniquilação aparente é um risco que não se pode correr, mesmo se a promessa lhe aponta que a alegria e satisfação resultam desse sacrifício. Na melhor das hipóteses essa alegria parece acontecer a outra pessoa que não o você familiar. Do que adiantam a alegria, satisfação, o prazer, o respeito próprio, a abundancia se eles serão experimentados por outra pessoa que não você? Esse é um sentimento e um clima não articulado em palavras.

Essa é a parte mais difícil de vencer. Ou, talvez, eu devesse corrigir essa afirmação e dizer que é a segunda parte mais difícil. A primeira é assumir o compromisso inicial de descobrir a verdade a respeito de si mesmo. Isso inclui a admissão de seus verdadeiros pensamentos, a experiência de todos os sentimentos e a tomada da responsabilidade em todos os níveis. A segunda é desembaraçar-se da sua identificação com o seu eu inferior.

Quando vivencia a si mesmo como real apenas no Eu inferior, em qualquer medida que isso possa ser verdadeiro, você não pôde abandona-lo. A recusa em fazê-lo é a vontade de viver, só que deslocada de seu verdadeiro lugar. Você vivi na ilusão de que além de seus aspectos negativos, nada mais do seu ser existe. Você só se sente real e energizado quando a negatividade e a destrutividade se manifestam. O amortecimento e o entorpecimento externos parecem resultar do fato de se ter “abandonado" o mal. Mas ele não foi deixado de lado, absolutamente.

Meus amigos, deixem que isso os penetre: sua resistência em abrir mão daquilo que mais odeiam em si mesmo deve-se a uma falsa identificação,

Como você vai achar a saída? A primeira coisa a fazer seria questionar a si mesmo: Isso é realmente tudo o que sou? Isso é tudo o que existe em mim? O simples fato de levantar essas questões já vai abrir uma porta. Mesmo antes de virem as respostas – E elas virão a luz – O fato dessas de essas perguntas serem feitas permitirão que você chegue ao segundo estágio: Você se dá conta de que a parte que fez a pergunta já está além da sua identidade presumida. Daí você já estabelece uma nova ponte. Daí em diante, não será tão difícil ouvir uma voz em que você responde de uma nova maneira.”

( O Guia. Livro: Não temas o mal - O método pathwork para a transformação do eu inferior.  Capitulo 21: A identificação com o Eu espiritual para superar a negatividade)

Eu estava dando uma lida em algumas partes desse livro hoje. E essa parte me chamou atenção.  Durante a maior parte da minha vida eu me identifiquei com meus aspectos negativos. Como se eu fosse eles. Eu não falava eu estou nervosa. Eu falava eu sou nervosa. Não falava eu estou insegura. Eu falava eu sou insegura. E há uma grande diferença nisso porque o estar denota algo temporário e o sou denota algo permanente.

Uma vez eu estava na aula aula de direção , cometi alguns erros e reparei que não fiquei nervosa. E então imediatamente eu pensei: “Essa não sou eu, eu sempre fico nervosa”. E esse é um exemplo pratico do trecho : “Na melhor das hipóteses essa alegria parece acontecer a outra pessoa que não o você familiar.” Foi exatamente isso que eu senti que aquela pessoa que não ficou nervosa não era eu.

Então eu vivi essa identificação de uma maneira muito profunda. E eu realmente coloquei em pratica aquelas perguntas citadas no texto e deu certo. E essa identificação com o eu inferior não está mais tão forte. Mas eu noto que ela ainda existe quando eu estranho receber um elogio, por exemplo.  No fundo parece inconcebível alguém ver algo de bom em mim. Mas no momento seguinte eu me lembro de tudo o que está escrito aqui e questiono. Porque ninguém poderia me elogiar? Será mesmo tão improvável assim que alguém veja aspectos positivos em mim???

Daí eu percebo que esse desconforto em si mesmo é ridículo. E consigo me sentir mais confortável com o elogio. é claro que eu gosto de ser elogiada, mas ainda há um certo desconforto. O que está obvio para mim é que eu preciso me atuar a me identificar com a nova Luciana e não com a antiga.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Novo homem e a Nova Mulher

amor romantico

 

" Eu gostaria de traçar um retrato da mulher na idade da consciência expandia e de aplica-lo ao relacionamento entre os sexos. A Nova mulher é completamente responsável por si mesma e portanto livre. Ela é independente tanto no sentido material quanto no sentido intelectual, no mental e no emocional. Com isso quero dizer que ela sabe que nenhum homem pode dar-lhe a sensação de harmonia se ela mesma não for capaz de gerá-las, por meio do amor e da integridade, por meio da abertura do coração ao amor e da mente a verdade interior. Para a nova mulher não há conflito entre ser um membro produtivo, criativo e participante da sociedade e uma parceria no amor. O amor real não é possível para quem se escraviza a fim de evitar a responsabilidade"

“O homem, na era da cosciencia expandida, já não precisa de uma parceira mais fraca como forma de negar sua fragilidade. Ele enfrenta e encara a sua fragilidade., e assim conquista a força real. Ele percebe que a sua fraqueza sempre tem origem na culpa, e auto-rejeição é sempre a negação da integridade do Eu Superior, de uma forma ou de outra. Portanto já não existe nele a necessidade de ter um escravo. O homem então não se sente ameaçado por um igual. Já não exige uma parceira inferior para se convencer de que é aceitável o que, naturalmente, de qualquer forma, seria uma ilusão. Portanto seu relacionamento com a mulher é totalmente igualitário. . ele não se sente ameaçado por uma pessoa tão criativa, tão adequada, tão inteligente quanto ele mesmo."

(O guia. Livro: Criando União. Capitulo 14: A Nova mulher e o Novo homem.)

Ei peguei esses dois trechos do livro criando união porque eu achei muito interessante e implesmente amei. Eu confesso que nunca fui muito atraida para relacionamentos tipo homem e mulher. Porque? pelo simples motivo de que eu via muita dependencia nesse tipo de relacionamento. Observava isso na maioria dos namoros. E relacionamentos assim eu realmente não quero.

Apesar de toda a mudança feita ainda há relacionamentos em que a mulher é vista como inferior. Felizmente eles estão diminuindo e cada vez mais mulheres estão aprendendo a assumir a responsabilidade por sua vida. E os homens a admitir sua fragilidade. Só assim é possivel um relacionamento igualitario.

E eu só quero me envolver nesse tipo de relacionamento se for para ser um relacionamento igualitário.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Amortecimento

 

coração

“Por que vocês não conseguem sentir esse centro vital em seu íntimo? Por que precisam tatear tão intensamente para sentir algo que está no fundo de vocês? Por que ele ficou tanto tempo oculto de vocês? Por que vocês só conseguem encontrá-lo indiretamente? O fato é que o que um dia foi um choque, vocês começaram a anestesiar, a amortecer. O maior infortúnio que um ser humano pode experimentar não é a mágoa, como vocês agora sabem. É a ausência de sentimentos, o amortecimento interior. Em alguma ocasião, esse amortecimento teve o intuito de proteger. Proteger contra a dor, o medo e o desconforto com os quais a pessoa não era capaz de lidar. Naquela ocasião, quando a pessoa era muito nova, essa pode ter sido, de fato, uma solução temporária, pois a mente imatura, com suas limitações, certamente não está equipada para enfrentar e manejar determinadas experiências emocionais e entendê-las de maneira realista. Assim é necessária uma anestesia temporária para a criança sobreviver. No entanto se ela continuar, é efetivamente um processo muitíssimo prejudicial.

Quando algo vivo é amortecido, impermeabilizado contra a reação, toda experiência se interrompe. Esse amortecimento é o que cria a desesperança que todo ser humano sente em certo grau. Isso pode ser bastante consciente ou estar oculto da consciência. É sem dúvida, a maior cruz que se carrega.

Como eu disse, o amortecimento atenua a dor e o medo. Mas ao fazê-lo apaga a própria vida. Torna imóvel o que deve se movimentar. O fenômeno de morrer no mundo físico e material em que vocês vivem é uma expressão de muitas atitudes interiores. No decorrer das nossas palestras falei de uma série delas. Uma das mais importantes é o desejo de não se mover. Isso pode ser comprovado por muitas pessoas. Ele se expressa na percepção de vocês como preguiça, inércia, apatia, até mesmo na percepção consciente de não querer fazer as coisas, não querer mexer o corpo, a mente, os sentimentos. Vocês não querem se lançar na vida, na experiência. Essa atitude gera amortecimento, portanto em última análise, o fenômeno da morte física. Como a vontade e a atitude da pessoa são sempre a causa de todos os acontecimentos externos, também é assim com o fenômeno terrestre universal da morte física. É um resultado direto de não querer sentir, portanto ficar morto, não se mover.

Quando o centro vital é amortecido, o desejo de mover-se também morre. Vocês podem ver por si mesmos que à medida que as pessoas envelhecem, diminui sua vontade de movimentar-se. Em geral as pessoas encontram uma explicação: “bem, esse é um fenômeno natural do envelhecimento.” Mais uma vez, há uma inversão de causa e efeito. O envelhecimento por si é um processo de morte, é uma manifestação e efeito, não a causa. A morte é resultado de, em algum lugar e de alguma forma, não querer viver, rejeitar aspectos da vida, como sentir, respirar, movimentar-se. Se e quando uma entidade, em sua evolução, atinge o ponto em que abraça e aceita a vida totalmente, com todos os seus aspectos, a morte deixará de existir. Qualquer pessoa que tenha medo da morte deve procurar entender essas palavras num nível profundo de experiência pessoal. Deve descobrir a parte de si mesmo que deseja não estar viva, não se mexer, não sentir. Quando então, ela descobrir sua própria rejeição à vida, deixará de sentir a impotência do medo da morte. Alguma coisa vai mudar a esse respeito.

Vocês também podem observar que os seres humanos que permanecem jovens por muito tempo não perdem a vontade de se movimentar. É errado afirmar que eles não perdem esse desejo pelo fato de permanecerem jovens por muito tempo. O correto é afirmar que permanecem jovens porque continuam a querer se movimentar. Quem não quer se movimentar precisa entender a razão, que é o que expus aqui.

O medo de se movimentar pode ser determinado de maneira relativamente fácil depois que vocês se questionarem a esse respeito. Assim que vocês deixarem de encontrar explicações para afastar as coisas e fizerem a si mesmos perguntas simples, dando as respectivas respostas, será fácil tomarem consciência do seu medo do movimento. A princípio pode ser que sintam como um simples desejo de ficar mortalmente imóvel, o que de fato não é absolutamente prazeroso. O prazeroso é estar vivo e se movimentar. Quando descobrirem o seu medo de se movimentar, a sua falta de vontade, relutância ou resistência ao movimento – do ponto de vista físico, mas também mental e emocional – terão descoberto a razão de viverem em uma esfera da consciência onde a morte é inevitável. Vocês apressam a morte na medida em que rejeitam o movimento em todos os níveis do seu ser. O movimento é rejeitado porque o movimento desperta o amortecimento. Quando o centro vital é temido porque não se sabe lidar com a dor e o medo, supõe-se que o amortecimento é a solução. E o movimento elimina o amortecimento portanto ele é rejeitado sem que se saiba que o não movimento é o início do processo de morte.

Aqueles de vocês que recentemente tiveram contato – muitos pela primeira vez – com um centro vital até então amortecido sabem que experiência incrível é. Primeiro, vocês sentem dor. Mas à medida que aprendem a aceitá-la (esta ou outra emoção que apareça), também descobrem a enorme diferença entre dor e dor, entre medo e medo, entra raiva e raiva. É a diferença entre uma emoção aceita e uma emoção rejeitada. A emoção aceita não é nem a metade tão dolorosa ou angustiante. Jamais gera ansiedade, tensão, desesperança, amargura, tormento. Jamais coloca vocês numa armadilha de onde não há saída. Jamais fecha a vida. Mesmo quando vocês sentem dor, existe vida em vocês borbulhante, maravilhosa, vida pulsante e a alegria está logo “por trás” da dor, na perspectiva de possibilidades ilimitadas. A dor aceita na verdade não é assustadora, não confunde, não causa conflito. É, ao contrário, muito revitalizante. Quando vocês ousam aceitar esse sentimento, seja qual for e vão mais fundo, ele se transforma. Embora a dor continue lá, ao mesmo tempo vocês se sentem incrivelmente vivos, maravilhosamente vivos. Pouco a pouco, a dor cede lugar totalmente ao prazer. Segurança, esperança, nova experiência – tudo isso está disponível, tudo está iminente, mas apenas através daquilo que já existe em vocês.”

( O Guia. Palestra 167: O CENTRO CONGELADO DA VIDA TORNA-SE VIVO)

Essa é uma das palestras que eu mais gosto no pathwork. Ela esclareceu muitas coisas sobre mim. Muitas mesmo. Esse amortecimento foi algo que eu fiz grande parte da minha vida. Eu realmente me congelei para atenuar o medo e dor. Então por experiência própria posso afirmar que o que está escrito aí é verdadeiro.

Uma coisa que aconteceu comigo foi um não querer viver experiências novas.  Um querer continuar na rotina, uma forte resistência a mudanças. E durante um tempo eu fiquei realmente sem esperança. Ela de certa forma havia morrido em minha vida. Eu não queria voltar a sentir. Para que eu iria sentir se o que eu sentia na maior parte do tempo era rejeição,medo, desesperança, tristeza, ansiedade? Eu realmente não via vantagem nenhuma em sentir. parecia mesmo que a melhor saída para mim era o amortecimento.

Mas ninguém fica amortecido eternamente. Mais cedo ou mais tarde os sentimentos reprimidos e negados vêem a tona. E comigo isso aconteceu. E eu tive de aprender a lidar com eles. Não dava mais para fugir.

E eu descobri que a forma mais eficaz de lidar com qualquer tipo de dor é a aceitação. Posso garantir que o que o Guia diz nessa palestra é verdadeiro. Há uma enorme diferença entre a dor aceita e não aceita. Porque quando não aceitamos lutamos contra. E quando lutamos contra a dor cresce. Lutar contra não funciona.  Então além da dor original ainda temos a dor da frustração de não conseguirmos elimina-la.

Uma coisa que me ajuda muito e lembrar que a vida e mutável. Sendo assim nada dura para sempre. Inclusive a dor. Quando aceitamos a dor ela se transforma. Ela não sobrevive muito tempo onde há aceitação.  Não sei explicar bem o motivo. Talvez pela dor não ser alimentada se temos esse tipo de atitude.

O que eu posso afirmar sobre isso tudo é. A não aceitação torna a dor insuportável. A aumenta e fortalece. Faz parecer que a melhor saída é o amortecimento. Mas a verdade é que o amortecimento faz você estar morto mesmo estando vivo fisicamente.

A aceitação torna a dor suportável, permite que você lide com ela de forma eficaz e saia no final mais fortalecido. A cada dia percebo mais a importância da aceitação.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Enfraquecendo a Corrente do Não

sim

“Neste caminho, vocês aprenderam em certas ocasiões a rever toda a sua vida à luz do progresso feito, para verificar não apenas em que aspectos vocês superaram velhos obstáculos, mas também o que falta fazer. Quando vocês consideram áreas da vida em que a realização ainda não ocorreu e encontram a correspondente corrente do não, também ajuda comparar essas áreas com os aspectos da vida em que vocês já se realizaram. Analisem, então, a correspondente corrente do sim. A expressão sutil, porém nítida, de certeza de que essa coisa boa é de vocês, que será sempre e facilmente de vocês, que ela não constitui uma dificuldade e não gera o medo de perdê-la. Pode ser bom também fazer a mesma investigação com respeito às áreas em que vocês se acham merecedores, em que estão dispostos a pagar o preço, a dar; observar que, na verdade, as atitudes gerais de vocês nas áreas saudáveis são enormemente diferentes dos sentimentos, emanações, expectativas, reservas, etc., nas áreas em que não há realização. Essa comparação é muito proveitosa, muito útil e vai resultar em um aumento da compreensão. Sintam claramente a diferença entre a sua abordagem, emoções e expressões sutis nas situações de vida saudáveis, realizadas, satisfatórias, e naquelas em que vocês encontram sistematicamente um padrão de frustração e insatisfação.

Não é fácil, mas sem dúvida é possível passar da corrente do não para a corrente do sim. Vocês não poderão sair da corrente do não enquanto mantiverem a convicção de que vocês não têm nada a ver com o problema, que não têm condições de mudar uma situação difícil, que não podem evitar o sentimento de negação. Mas quando vocês concluírem que o fator decisivo final são vocês mesmos, a sua vontade, a sua determinação, o fim do sofrimento estará próximo. Digam “quero sair disso. Para tanto, quero saber o quê, especificamente, está atrapalhando a passagem neste momento. Sei que meu eu real, que as forças universais construtivas me ajudarão e me guiarão no momento em que eu decidir tomar uma providência a esse respeito. Estou pronto para ver o que vai surgir.” Continuem a cultivar as atividades nesse sentido. O que antes parecia impossível subitamente vai parecer viável. Meditação descontraída, concentração e um mínimo de auto-exame diário são medidas indispensáveis. Estas são as ferramentas. Aprender a usá-las da maneira apropriada, dirigida e adequada em qualquer fase do caminho faz parte do processo de crescimento.

Como eu já disse muitas vezes, nada é em si certo ou errado, saudável ou doentio, construtivo ou destrutivo. Tudo depende sempre do “como”. Isso também se aplica a sentir, vivenciar, expressar a atitude de “eu quero”, com relação a uma realização específica. O simples fato de haver tal atitude não garante que seja uma corrente do sim. Sem falar do desejo contrário no plano inconsciente, esse “sim” pode ser a expressão de ganância e medo, de querer demais. Ganância e medo são produtos da corrente do não. Se não houvesse corrente do não oculta, não haveria dúvida de que vocês conseguiriam seu intento; portanto, não haveria o medo de não conseguir. Assim, não é querer vorazmente ter alguma coisa. Se estiverem em conformidade e harmonia com as forças cósmicas, a corrente do sim vai funcionar como um fluxo muito natural, fácil e tranqüilo, no seu interior. Não é preciso pressionar. Já estando na corrente do sim, vocês podem afirmar “eu quero” com todas as forças, sem nenhum traço de ansiedade, dúvida e ganância. Sim ou não, “quero” ou “não quero” só podem ser determinados como expressões da corrente do sim ou do não depois de uma observação atenta, procurando detectar a existência ou não de uma emoção áspera, desarmônica, perturbadora.”

( O Guia. Palestra 125: TRANSIÇÃO DA CORRENTE DO NÃO PARA A CORRENTE DO SIM)

Esse trecho é algo que me ajudou e continua me ajudando muito. Ao fazer o exercício sugerido nessa palestra muita coisa se esclareceu na minha vida. No começo eu tive dificuldade com esse exercício. Porque parecia que eu dizia não a tudo na minha vida. srsrs. Eu não encontrava uma corrente do sim para fazer essa comparação.

Mas depois de um tempo eu encontrei uma. Eu usava a corrente do sim para eu tocar teclado. E realmente eu vi que minha atitude ao tocar teclado era totalmente diferente que em outras áreas da minha vida.

Ao treinar uma musica eu respeito o tempo que preciso para aprende-la. E não fico achando no primeiro erro de nota que tocar teclado não é para mim. Quando eu toco teclado eu toco para mim e não para obter aprovação alheia. Enfim eu fico realmente relaxada ao tocar teclado.

Agora vamos ver como costumava ser a minha atitude nos estudos. Digo costumava pois agora não é mais assim. Eu estudava o triplo em ralação as pessoas em geral e ainda assim não me sentia preparada. Quando eu tirava nota boa eu pensava: “grande coisa só um idiota não tiraria estudando desse jeito.” Quando eu tirava uma nota baixa eu logo pensava que não era inteligente. Eu queria ser boa aluna e ao mesmo tempo tinha algo dentro de mim que dizia que eu não podia. E era essa crença de que eu não podia que era a corrente do não.

Nesse exemplo vemos também de forma bem clara o ultimo paragrafo da palestra exposta acima. Conscientemente havia um eu quero muito forte. Mas ao mesmo tempo havia a crença do eu não posso, que seria a coerente do não. E como eu pude ver em minha própria vida. Quando há um não inconciente o querer consciente é sempre frustrado. A única saída é realmente a consciência da corrente do não. Essa é a única forma de enfraquecer essa corrente.