sábado, 11 de dezembro de 2010

Luta Doentia

MOA_CO~1 “Quando o homem não gosta de alguns de seus sentimentos e atitudes, ou até mesmo tem medo deles, bloqueia a consciência deles. Isso significa represar a corrente que deveria fluir livremente. A idéia essencial dessa analogia com a corrente não é nova, naturalmente. Mas é preciso encontrar sempre novos enfoques e representações simbólicas para vocês poderem de fato visualizar o dano causado pela repressão. Você precisam de novos incentivos para adquirirem sempre nova inspiração para eliminar os bloqueios e barreiras. Portanto, meus amigos, procurem efetivamente visualizar cada sentimento, cada emoção, cada atitude interior, cada resposta como uma corrente. Se vocês represarem a corrente, o que acontece? É possível represar um rio ou uma corrente. A água flui até a represa e aí interrompe seu curso, deixando de fluir depois da represa. Mas quanto mais água se acumular por trás da represa, maior será a energia da água acumulada, até que ela explode a represa, transborda e destrói não só a represa mas toda a vegetação e as estruturas ao longo de seu caminho. Não é necessário destruir a represa ou barreira de maneira tão violenta. A represa não precisa ser construída. Mas já que ela foi, precisa ser eliminada. Vocês podem se esforçar para elimina-lá de forma gradual e sistemática. Esse é o processo consciente do auto-exame. Esperar até a natureza agir – contra a vontade de vocês, por assim dizer – significa que a barreira será arrastada pela força das águas. Quando a vida é dura com vocês, quando as atitudes destrutivas acumuladas cujas origens estão por trás da barreira finalmente extravasam, o homem passa por crises e colapsos de diversos tipos e graus.

Quando o rio não é represado, a sujeira e os resíduos que ele contém sobem espontaneamente à superfície, sendo assim eliminados. A água que se regenera sempre, em sua pureza e frescura, finalmente tem forças para livrar o rio dos destroços de um naufrágio. Não é assim que acontece na natureza? O mesmo se aplica às correntes da alma de vocês. Se vocês temerem os destroços das mágoas passadas e as conseqüentes atitudes destrutivas, vocês simplesmente os acumulam por trás da barreira, e eles vão fatalmente inundar vocês no dia em que vocês não conseguirem controlar o que acontece. Mas não haverá nada a temer se vocês simplesmente deixarem que esses destroços subam à superfície. É por isso que, quando vocês começam a eliminar os bloqueios, percebem a princípio principalmente emoções negativas, nunca sentidas conscientemente antes. A tentação é voltar a colocar um ferrolho nelas. Cuidado com essa tentação. No devido tempo, esses primeiros sentimentos serão seguidos por sentimentos positivos, generosos, amorosos, altruístas, calorosos. Os sentimentos negativos deixarão de ser prejudiciais para vocês, por causa da conscientização. O fato de não querer vê-lós não faz com que eles deixem de existir.

Quando vocês lutam contra a insegurança interior negando sua existência, ela cresce por trás da represa, como águas contidas. Enquanto houver a represa, vocês sentirão um vago desconforto que não conseguem identificar. Sentem-se inibidos, sem entender por quê. Percebem que deixam de utilizar alguns dos seus melhores potenciais. Mas em geral não conseguem entender a situação, nem percebem toda a intensidade da insegurança, que se torna maior simplesmente pelo fato de se avolumar por trás da barreira. Um dia o limite é ultrapassado, e isso acontece na forma de algum acontecimento exterior que inunda vocês com todo o desespero da impotência e da insegurança que vocês jamais ousaram encarar. Ou seja, ao lutar contra a insegurança interior, vocês só fazem aumenta-lá. Ao negar sua existência, ela fica maior e mais forte do que ficaria se não fosse essa negativa. O mesmo se aplica a qualquer outra emoção ou atitude. Medo, dúvida, hostilidade, seja o que for, o princípio é o mesmo. É necessariamente o mesmo. As leis naturais da criação aplicam-se igualmente a toda a todas as fontes e origens da criação, sejam os rios materiais ou os rios e as correntes de sentimentos..

Não é muito mais sensato e benéfico começar a eliminar a barreira? Esperar até a natureza agir, esperar que ela derrube tudo sem a intervenção de vocês, deixa vocês impotentes. Os sentimentos vão extravasar, e vocês não vão entender o significado e a importância deles, porque o ímpeto acumulado fica forte demais. Não esperem isso acontecer. É muito freqüente o homem esperar até surgir uma crise em sua vida para refletir sobre si mesmo.

Neste trabalho, nosso objetivo é evitar a luta vã, é eliminar a barreira antes que ela mesma se destrua, permitir que o fluxo traga à tona o que contém, ver e encarar os sentimentos que vocês prefeririam não enxergar: as dúvidas, a agressão, a inveja, a possessividade, o auto centrismo, a presunção – em resumo, tudo aquilo de vocês que representa a criança, a criança ferida.””

( O Guia. Palestra 114: LUTA – SAUDÁVEL E DOENTIA)

Eu adorei essa parte da palestra. Porque o Guia fala exatamente da luta doentia que eu costumava ter. A luta contra meus sentimentos. É bem diferente deixar que os sentimentos vejam a consciência e lutar contra eles. Na luta você se proíbe você~e se culpa por ter determinados sentimentos. E essa culpa é tão grande que acabamos por esconder esses sentimentos de nós mesmos. mas os sentimentos não crescem se não trabalharmos com eles. E isso é impossível de ser feito se os escondemos de nós mesmos.

Ter consciência de um sentimento é admitir que ele existe. E mesmo quase ele for negativo não nos culparmos por ter tais sentimentos.  Assim poderemos nos compreender. E quando os sentimentos são compreendidos. Ocorre uma alquimia. Eles mudam. Eles amadurecem e deixam de nos prejudicar.

Mas quando os escondemos atrás de um barreira eles agem da forma imatura pois são impedidos de amadurecer. E acabam atrapalhando nossa vida. Quanto menos consciência temos de um sentimento mais destrutivos eles se tornam.

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