domingo, 28 de novembro de 2010

O Proposito da Anestesia da Consciência

 

anestesia

“Antes de o eu espiritual tomar posse do corpo humano no processo de nascimento, a entidade já está em estado de sono, anestesiada, não consciente. Quando ocorre o nascimento, há um despertar em grau muito reduzido – ou seja, em relação ao estado real. A parte limitada da entidade que toma posse do corpo do bebê desperta até certo ponto, até o ponto de um determinado funcionamento físico, de sensações físicas e de algumas funções muito limitadas de percepção e consciência, mas que não podem ser adequadamente avaliadas, interpretadas, assimiladas. Isso acontece mais tarde. Assim, o estado de consciência após o nascimento é maior em comparação com o estado anterior ao nascimento, mas ainda se trata de uma consciência muito limitada. Como eu já disse, o aumento da consciência e do despertar é um processo muito gradual, à medida que ocorre o crescimento e a expansão da vida.

Os primeiros anos – eu poderia dizer talvez, mais ou menos, os primeiros vinte e dois a vinte e cinco anos, embora não se possa generalizar – são voltados principalmente para a aquisição de conhecimento exterior. Depois desse período, desde que o processo seja significativo e natural, o foco deve passar para a aquisição de conhecimento interior, espiritual, conhecimento que transcende a realidade física. Isso pode ocorrer primeiro no plano psicológico. Eu incluo o conhecimento psicológico quando falo de conhecimento interior, espiritual. Pois, o conhecimento psicológico trata das leis e processos do eu interior. Existe uma sobreposição, é claro. No caso de algumas pessoas muito desenvolvidas, mais capazes de realização espiritual, o despertar para a realidade interior muitas vezes, mas não sempre, acontece numa fase anterior e coincide com o aprendizado exterior. Assim, por exemplo, há crianças no caminho que, até certo ponto, começam logo no início da vida a adquirir e assimilar algum conhecimento interior. Isso pode ocorrer porque esse conhecimento está tão próximo e está profundamente ancorado na alma; porque em vidas anteriores ele passou a ser parte integrante da entidade, sendo assim muito mais fácil e rápido redespertar para ele do que é no caso de outras pessoas que ainda não passaram por esse desenvolvimento e que ainda precisam percorrer alguns processos de crescimento, de busca, de luta até que o conhecimento interior penetre em todas as partículas da alma. E esse, naturalmente, é o propósito da vida. Tudo isso é necessário: o processo de tentativas, o processo de ensaio e erro, a busca, a freqüente confusão e desconhecido, lidar com o desconhecido do modo mais construtivo possível, encontrar o equilíbrio, muitas vezes precário, entre paciência e humildade para receber a graça do conhecimento para se comunicar, por um lado e, por outro lado, o compromisso sério, o empenho, a concentração, a vontade firme, a agressão saudável em relação a esse processo. O segredo está nesse processo. Quando as lições dessas atividades são absorvidas pela alma, a reconquista do conhecimento será muito mais fácil em uma vida futura, para usar a terminologia de vocês com relação ao tempo.

Vou voltar agora à questão da razão pela qual existe a anestesia temporária. Talvez, com o que eu disse anteriormente, vocês já tenham entendido uma parte da resposta, mas eu vou procurar ir mais longe. Mesmo não sendo fácil transmitir esses princípios, vou me esforçar ao máximo. Fazendo uma breve recapitulação: quer a alma já tenha passado pelo processo descrito e, assim o conhecimento espiritual, o entendimento e a percepção sejam naturais, mesmo no estado limitado de corporificação humana; quer isso absolutamente ainda não tenha ocorrido; quer a alma esteja passando por esse processo e assim continue vida após vida – em todos esses casos, para começar, a personalidade manifesta não sabe o que sabe. O conhecimento, seja qual for seu grau, é riscado, é “esquecido”, por assim dizer. Portanto, seja qual for o estágio de desenvolvimento em que vocês estejam, vocês começam como uma folha em branco, começam sem saber de nada, não importa se vocês são altamente desenvolvidos ou ainda estão no início do desenvolvimento. No começo, o conhecimento que está dentro de vocês aparentemente não está dentro de vocês. Pois bem, qual a razão para isso?

Nesse ponto preciso relembrar uma palestra que dei recentemente sobre o processo evolutivo (palestra nº 218). Eu discuti como a “massa” da consciência se espalha, preenchendo o vazio. Ao faze-lo, partículas de consciência se soltam. A consciência divina essencial, em sua beleza, sabedoria e poder benigno, funciona de maneira limitada e distorcida. Essa partícula isolada procura se unir outra vez com o movimento rápido para frente, em difusão do estado divino da vida, que inexoravelmente enche o vazio. Nesse processo, as partículas separadas – entidades individuais – precisam encontrar o caminho de volta sozinhas, à custa de redespertar os potenciais divinos que estão sempre presentes, mesmo nos aspectos mais separados.


Já tornei a falar dessa analogia muitas e muitas vezes depois daquela palestra, para que vocês entendam o tópico em questão. Nesse caso específico, a parte da sua alma que ainda está separada precisa esquecer tudo que sabia em um estado mais desperto para que a parte não desenvolvida encontre seu próprio caminho.

Vou tentar esclarecer melhor. Vamos supor que vocês soubessem conscientemente agora tudo o que sabem profundamente. Nesse caso, os aspectos não desenvolvidos de vocês não encontrariam, por conta própria, sua essência, sua essência inata. Esses aspectos seriam arrastados, por assim dizer, pelos aspectos já conhecedores, já desenvolvidos. Portanto, eles nunca seriam confiáveis. Em essência, embora não de modo necessariamente manifesto, eles deixariam embaçada a beleza, a vitalidade, a criatividade e a sabedoria. Seriam arrastados pela vaga da glória total da consciência de Deus, mas não ficariam totalmente imbuídos nela. A purificação e a evolução significam que os menores aspectos de tudo que existe precisam estar imbuídos em sua própria essência.”

(O Guia. Palestra 220: DESPERTANDO DA ANESTESIA DELIBERADA FOCANDO CONSTANTEMENTE AS VOZES INTERIORES)

Achei essa palestra bem interessante. Já que uma coisa que eu nunca entendi foi o motivo do esquecimento. A gora ficou mais claro. Para que possamos lidar com um aspecto destrutivo é preciso que tenhamos conhecimento da sua existência. E como há a tendência em muitas pessoas a negar se os aspectos positivos ficassem muito em foque seria muito mais fácil a tal negação.

Muitas vezes é preciso que o aspecto destrutivo se manifeste como um problema para darmos a ele a devida atenção. Isso aconteceu comigo. Eu só comecei o trabalho de auto conhecimento com afinco depois que os aspectos negativas tornaram a aminha vida tão difícil que foi impossível deixa-los de lado. Fingir que eles não existiam. Eles produziram seus efeitos desde de bem cedo em minha vida. E hoje eu vejo que isso foi na realidade bem positivo. Pois graças a isso eu estou tendo a oportunidade de aumentar e expandir ainda mais minha consciência, através do trabalho que faço para que esses aspectos encontrem seu equilíbrio.

2 comentários:

  1. Bem interessante seu post, nunca havia atentado para este aspecto.
    Abraços forte

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  2. Olá Luciana.
    Post publicado e obrigado pela contribuição.
    Até mais

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