segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sobre o eu real e o eu superficial

"Quanto mais vocês trabalham neste caminho e compreendem a natureza dele, mais passam a entender a meta que é encontrar o seu eu real, o seu verdadeiro ser, as camadas por baixo de camadas do eu que, à primeira vista, parecem ser a sua personalidade. Mas quanto mais vocês avançam, mais percebem que não se trata do seu eu real, e sim de tendências e traços artificiais que vocês cultivaram por tanto tempo que elas passaram a ser sua segunda natureza, e assim parecem ser vocês. Quando pensamos no eu real, sabemos que ele representa a centelha divina. Inconscientemente, o conceito que vocês têm disso é que o eu real é tão elevado e santo que é totalmente alheio ao eu que vocês conhecem. Isso não apenas assusta um pouco, mas também desanima vocês. Esse é um dos maiores obstáculos no caminho para o eu real. O eu real, de fato, está muito mais perto de vocês do que imaginam. Na verdade, existem áreas na sua vida em que vocês agem a partir do eu real, mas não sabem disso porque é um processo muito natural. Por enquanto, vocês não conseguem distinguir esse tipo de ação e a ação que vem das camadas superficiais.

Vocês supõem que o eu real e divino aparece na forma de uma perfeição rígida com um padrão uniforme. Isso atrapalha vocês mais que as suas imperfeições. A sua concepção equivocada da perfeição divina leva vocês, por um lado, à rigidez e à compulsão, e por outro lado, à revolta contra ela. Vocês ignoram a verdade vital de que a imperfeição pode levar à perfeição, e no momento pode até ser a perfeição. Pois a perfeição, no sentido real divino, é relativa e depende mais da atitude da pessoa em relação a si mesma e a seus atos do que de um ato perfeito como tal. Em outras palavras, não se trata do que vocês fazem, e sim de como fazem. O ato que é considerado certo pelo mundo inteiro e de acordo com todas as leis espirituais pode ser desonesto. Vocês podem estar divididos nesse ato e podem praticá-lo por medo, compulsão e, assim, por vontade de receber amor e aprovação. Nesse caso não é o eu real que age, independentemente da perfeição que a ação exterior possa aparentar. Por outro lado, o ato de vocês pode ser condenado pelo mundo. Pode ser contraditório com o produto final acabado da perfeição. Mas no seu estado atual, ele é não apenas inevitável, mas até mesmo necessário. Vocês se mostram como são, de acordo com sua natureza, com sua trajetória interior de crescimento. Se vocês são autênticos quando o praticam, assumem total responsabilidade por ele, estão prontos para arcar com as conseqüências, esse ato imperfeito é mais perfeito, mais de acordo com a sua verdade do que o ato anterior. Isso não é fácil de entender e exige uma cerca dose de insight e avanço. Certamente não pode ser abordado com superficialidade e irresponsabilidade. Não se deve jamais confundir esse ato com a vontade infantil, o desejo de obter algo em troca de nada."

(O Guia. Palestra 94: O Verdadeiro eu versus os niveis superficiais de personalidade)

Outra palestra que eu adorei. A lias no pathwork é difícil encontrar algo que eu não goste. srsrs

Exatamente como é dito nesse trecho minha ideia de eu real era essa perfeição rigida. Que no meu caso seria: Nunca ter raiva, sempre compreender todos, nunca sentir inveja. Enfim nunca ter nenhum sentimento considerado negativo.

E essa crença me fez reprimir minhas emoções. E no meu trabalho de autoconhcimento eu estou percebendo que muitas vezes a minha amorosidade não foi real. Foi apenas uma especie de barganha para ver se conseguia o amor da outra pessoa.Claro que existiam e existem circunstâncias que minha amorosidade é real . Mas ela não é naquele momento em que eu apenas quero fazer com que outra pessoa me ame através disso. Nesse momento a amorosidade não vem do meu eu real. Estou descobrindo que a motivação é muito mais importante do que o ato em si. E que uma amizade construída nessas bases não é uma amizade real.

no ano passado eu tive uma experiência que no momento que ocorreu me deixou pessima. Mas depois eu vi que era o melhor que poderia ocorrer naquele momento, que aquilo significou uma mudança de padrão. Aconteceu o seguinte.

Eu fiquei com tanta raiva de uma amiga que não consegui reprimir esse sentimento como normalmente fazia. E nós nos desentendemos e ficamos um tempo sem nos falar.

Foi um tempo que eu achei que seria definitivo, mas não foi. E a verdade é que acontecer isso foi muito melhor do que o que teria acontecido se eu tivesse reprimido.

Não é muito difícil imaginar. Porque essa tinha sido a história da minha vida até então. Eu teria reprimido a raiva. Minha amiga nunca ficaria sabendo o que estava me incomodando. Então ou eu me afastaria definitivamente por causa da magoa acumulada. Ou seria mais uma amizade superficial.

Mas ao eu expressar a raiva eu expressei algo verdadeiro. Eu fui honesta com ela. Expus meus verdadeiros sentimentos. E isso gera maior profundidade. No fim a amizade que eu achava que tinha morrido apenas se tornou mais profunda.

Isso é apenas um exemplo do quanto vale a pena expressar o eu real.

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