sábado, 16 de outubro de 2010

Porque negligenciamos o lado emocional?

"No mundo dos sentimentos, vocês experimentam o bom e o mau, o feliz e o infeliz, o prazer
e a dor. Contrariamente ao registro mental, essa experiência emocional toca vocês de fato, pois a luta
do homem é primordialmente para alcançar a felicidade, e como as emoções imaturas levam à
infelicidade, a segunda meta passa a ser a luta para evitar a infelicidade. Isso cria a primeira
conclusão, principalmente inconsciente: “se eu não sentir, não vou ser infeliz.” Em outras palavras,
em vez de dar o passo corajoso e adequado de viver até o fim as emoções negativas e imaturas, a fim
de dar a elas a oportunidade de crescer e, assim, se tornarem maduras e construtivas, as emoções
infantis são suprimidas, retiradas da consciência e enterradas, de modo que permanecem
inadequadas e destrutivas, mesmo que a pessoa não esteja ciente de sua existência.


Situações infelizes existem na vida de toda criança; dor e decepção também. Quanto menos
essa dor e decepção forem uma experiência consciente e quanto mais fizerem parte de um quadro
vago e indistinto, que não se pode discernir com exatidão, não passando de algo cuja existência se
toma como certa, maior é o perigo de ser tomada uma resolução inconsciente: “não posso permitir-
me ter sentimentos, se quiser impedir a dor e a experiência da infelicidade.”

Já discutimos anteriormente por que essa conclusão, essa solução é errada. Mas posso
recapitular sucintamente: apesar de poder ser verdade que vocês embotam a capacidade de ter
experiência emocional, como acontece na anestesia e portanto não sentem a dor imediatamente,
também é verdade que vocês embotam a capacidade de sentir felicidade e prazer, enquanto, a longo
prazo, na realidade não evitam a temida infelicidade. Ou seja, a infelicidade que vocês parecem evitar
vem ao seu encontro de um modo diferente e indireto, muito mais doloroso. A amarga dor do
isolamento, da solidão, o torturante sentimento de ter atravessado a vida sem passar pelos altos e
baixos, sem se desenvolver até o máximo e o melhor possível, é o resultado dessa fuga acovardada,
dessa solução errada."
(O Guia, Palestra 89: O desenvolvimento emocional e sua função)

Essa palestra me fez abrir os olhos para muitas coisas. Durante muito tempo eu achei que a razão pela qual a minha vida estava tão insatisfatória eram as emoções. Eu culpei minhas emoções pelas situações desagradáveis da minha vida.

O que eu via era, por exemplo, que eu sabia a matéria de uma prova e o nervosismo me fazia ir mal nela. Que minha insegurança fazia com que fosse mal em coisas que eu sabia que poderia ir bem. Para mim eu não conseguia as coisas devido as minhas emoções e meus sentimentos.

E eu via que racionalmente eu sabia que não havia motivos para tamanha insegurança. Por isso achava que se conseguisse suprimir totalmente minhas emoções não seria infeliz.

E assim eu fiz. Eu reprimi o máximo possível. Estava convencida de que era o melhor a fazer. Mas na epoca eu não percebi que ao reprimir meus sentimentos eu não reprimia apenas os negativos. Reprimia os positivos também. Essa palestra me abriu os olhos para esse fato e eu finalmente compreendi o quanto eu perdia ao reprimir minhas emoções.

Quando comecei a não reprimir mais. Descobri que não era perigoso como eu pensava. Os sentimentos negativos vem. Mas se os observamos sem julgar. Sem dizer a nós mesmos que não deveríamos ter tais sentimentos. Eles se dissolvem. E no final só fica o que "pertence" ao nosso eu verdadeiro.

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