sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O Modo "correto" de lidar com o "negativo"

"PERGUNTA: Eu acabei de ler um livro de Prentice Mulford, no qual quase tudo está de acordo com o que você diz. Mas há uma coisa que não entendo. Ele escreve que uma pessoa não deve se preocupar com o negativo, especialmente não com os próprios erros, porque eles refletem o negativo. Mas você disse que nós deveríamos encarar nossos erros e lutar contra eles. Mas para poder lutar contra eles, nós temos que pensar sobre eles diariamente. Isso é uma contradição?

RESPOSTA: Não, não é uma contradição. O importante é o “como”. Claro, existem muitos seres humanos que “mergulham” nos próprios erros, que têm esse tipo de falso arrependimento que eu mencionei anteriormente. Eles reclamam de seus erros, dizendo “eu sou um pecador; eu sou tão ruim; eu simplesmente não consigo superar meus erros. Que terrível que eu tenha essa ou aquela falha!” E toda vez que pensam sobre elas, eles se deixam dominar por essa corrente ou vibração improdutiva, e os sentimentos de culpa crescem. Mas esses sentimentos de culpa, por sua vez, causam outras reações negativas e, portanto se inicia uma cadeia de reações negativas. Claro, essa é a abordagem errada. Não somente ela atrai as correntes negativas, mas também envolve auto-engano. Esse ser humano pensa que é humilde, quando, na realidade, quer seu próprio conforto ao dizer a si mesmo que é irremediável. Você vai encontrar essa atitude muito freqüentemente. É tão extremada quanto a atitude oposta, que descreve a perfeição. Um ser humano com conhecimentos espirituais, que aconselha contra pensar sobre as correntes negativas está falando desse tipo de atitude. Mas, no nosso caminho, é uma necessidade bem diferente e inevitável que o homem aprenda a se conhecer, a encarar a verdade e a aceitá-la temporariamente como um fato, sem querer dizer que ele deva considerá-la como imutável, sem fazer nada a respeito disso. Ele deveria dizer: “esse sou eu; eu tenho essas falhas. Eu sei que para me livrar delas é necessário lutar, ter força de vontade e paciência. Mas eu posso e vou fazê-lo.” Isso é produtivo.

Ao analisar corretamente e colocar o dedo na ferida, você vai descobrir que o fato de o homem se chocar com seus defeitos e imperfeições de forma tão terrível e adquirir sentimentos de culpa a esse respeito, do que mais se trata se não de um certo tipo de orgulho e presunção, de fingir ser mais do que ele é? Esse ser humano se vê como perfeito, ao invés de passar pelo esforço de se tornar perfeito. E perceber que ele não é perfeito é uma descoberta terrível que fere sua vaidade. Assim, ele não pode se tomar pelo que é naquele momento. Essa é a parte doentia disso. Se você usar seus sentimentos e depois pensar, meditar a respeito, você vai, desse modo, abrir novas portas. É sempre o “como”. Eu já disse isso antes. Claro, uma vez que for capaz de se ver com todas suas falhas, sem um sentimento de desarmonia ou resistência interna, como um observador objetivo poderia vê-lo, aí então, mas só então, você pode construir sua casa positiva.

Você deve construir sobre a fundação da verdade. Não há como construir sobre mentiras ou inverdades. Se você não se conhece, ou não quer se conhecer, ou se engana sobre si mesmo e sobre suas motivações, e se você não consegue se encarar como é, com facilidade, você constrói sobre inverdade. Mas encarar a si mesmo de uma maneira relaxada é humildade verdadeira, que coloca as forças benéficas em movimento, capacitando-o a mudar a partir do interior, e não superficialmente. Nesse caso existe construção, reconhecendo o ponto de virada e a essência de Deus que está contida na raiz que foi torcida por um erro. Isso deve ser imaginado e buscado. Quando eu falo repetidamente sobre essa perfeição, meus queridos, que vocês devem atingir, vocês vagamente pensam em conseguir essa perfeição através de influências ou experiências externas, isto é, conseguir alguma coisa que ainda não está em vocês. Mas isso não é assim! Ela está inativa dentro de vocês, escondida por trás de muitas camadas, como eu tenho dito freqüentemente. Ela está coberta pelo seu eu inferior, mas apenas coberta. A perfeição já existe dentro de vocês. Basta remover as camadas!

Para remover as camadas vocês precisam, antes, perceber que elas estão lá, e aceitar o fato de que elas são como são, e se manifestaram de uma determinada forma. Assim elas podem ser suficientemente diminuídas, para permitir a passagem para o eu superior, mesmo quando há bloqueios reais impedindo a passagem. Quanto vocês ficarem completamente conscientes de que a perfeição já está em vocês, irão achar mais fácil superar as dificuldades, e a imperfeição não os prenderá mais em correntes. Liberem essa perfeição, ela está dentro de vocês, escondida por trás de várias camadas, libertem-na. Uma vez que tiverem cristalizado o eu inferior, estendido diante de vocês como um corpo estranho, vocês podem começar a construir as formas positivas que querem realizar.

Vamos tomar o exemplo de alguém que luta contra o egoísmo. Essa é um defeito presente em algum grau, de alguma maneira ou forma na maioria dos seres humanos, mas cada um só tem uma porção dele. Quando, em sua meditação diária, vocês pensarem sobre as ações e reações relacionadas com esse defeito, vocês vão passar por fases, passo a passo. Primeiro mal conseguem perceber quando foram egoístas. Depois irão lembrar de acontecimentos, ainda mais quando pedirem para reconhecer a verdade e se abrirem para ela, quando antes não tinham consciência da tendência egoísta.


Depois disso virão o desconforto, o choque e uma forte consciência de culpa, ao lado da resistência contra o reconhecimento. Portanto, vocês devem primeiro lutar contra qualquer resistência que apareça, vencer e aceitar, por enquanto, que o seu egoísmo é um fato. Essa prática trará uma imensa força espiritual, que tem muitas bênçãos em seu rastro. Nesse momento, para avançar,vocês têm que atacar o problema a partir de vários lados. Isso requer que orem, pedindo energia e força de vontade para se verem como são. Requer meditação para se tornarem conscientes, lá no fundo, de quão pouca humildade existe quando vocês ficam tão exageradamente chocados a respeito de cada falha, de quanto orgulho e vaidade isso revela, e de como essa atitude de não serem capazes de se aceitarem como são nesse momento está distante da verdade. Também requer o desejo de enxergar as interligações com outros defeitos, etc.

Depois de um certo tempo, vocês ficarão familiarizados com esse seu lado até então desconhecido, com as correntes inconscientes. Com esforço contínuo, trabalho diário, meditação, oração e resoluções, vocês serão capazes de controlar suas ações e reações, de quebrar o padrão anterior. Aos poucos serão capazes de aplicar à vida cotidiana aquilo que reconheceram em seus momentos de recolhimento, e de agir de acordo. Por outro lado, nos momentos de recolhimento vocês irão perceber o progresso em suas ações, apesar de ser forçoso admitir que as emoções ainda não acompanham as atitudes, e o resultado é uma discrepância porque é mais fácil controlar ações do que emoções. Agora existe um perigo de encobrir suas reações emocionais, de se enganarem, até que elas estejam enterradas novamente no inconsciente.

Isso muito freqüentemente causa correntes emocionalmente doentias. O homem age corretamente, porque lhe ensinaram a distinguir o que é certo ou errado, sua consciência registrou isso, ou porque ele quer o reconhecimento e o amor de seus companheiros. Mas essas ações não estão embasadas nos sentimentos certos e, portanto, se tornam uma mentira. Mas não desistam.

Continuem a lutar com coragem pela sua verdade interior. Aí, então, serão capazes de impedir essas inversões. A discrepância entre a emoção errada e a ação correta irá desaparecer. Nessa fase, vocês irão perceber que é necessário muito mais trabalho espiritual para mudar as emoções, e vocês não se furtarão a esse trabalho pesado. Vocês irão construir, na meditação, as formas boas e corretas, ao se imaginarem livres do egoísmo (ou de alguma outra característica), ao sentirem a alegria de deixar os outros terem o que vocês sempre desejaram somente para si mesmos.

À medida que o tempo passa, essas formas ficarão poderosas. Elas irão cercá-los como árvores, enquanto o eu inferior se estende diante de vocês como um corpo estranho. A discrepância se torna mais aparente, mas vocês não irão ficar horrorizados cada vez que isso acontecer. Aos poucos, mas com certeza, as correntes erradas irão mudar, e as emoções irão verdadeiramente se adaptar às ações exteriores que já foram mudadas. Esse é o procedimento. Claro, sempre é mais cômodo não mexer em nada disso, porque incomoda olhar para si mesmo honestamente todos os dias. O homem é esperto quanto se trata de achar subterfúgios para explicar porque ele não quer ou não precisa disso ou daquilo. Ele tende a se agarrar ao que é mais fácil. Mas o que se ganha com facilidade não é tão precioso. Aquilo que é conquistado através da disciplina – que é um preço justo –traz uma felicidade maior e mais duradoura. Simplesmente não poderia ser de outro modo."

(O Guia. Palestra 7: Decida! Perfeição, Bem- aventurança, Medo, Problema.)

Me lembro até hoje de quando li essa pergunta e resposta pela primeira vez. Foi extremamente esclarecedor!!!

Esse tipo que o Guia chama de falso arrependimento existia de maneira muito forte em mim. Qualquer sentimento negativa fazia eu me sentir a pior das piores. E eu entrava na culpa e no ciclo improdutivo.

Eu realmente não percebia que isso também é vaidade. É uma espécie de vaidade porque é querer ser uma santa e se proibir de sentir coisas que todos os seres humanos sentem.

Esse tipo de culpa decorre da não aceitação do estagio atual em que se está. outra coisa bastante esclarecedora foi quando o Guia disse que a perfeição já existe dentro de nós. Mas existem camadas sobrepostas que a esconde.

Quando se percebe isso torna-se bem mais fácil não se culpar pelo "negativo" que existe em nós. Pois compreendemos que em essência todos somos perfeitos. e a medida que lidamos com essas camadas mais conseguimos expressar essa perfeição. E isso se torna um incentivo para lidar com elas.

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