segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Moralizando a si mesmo

"Qual o significado dessa moralização? De imediato, vocês poderiam dizer “Mas que mal há nisso? Não aprendemos dessa forma a distinguir o bom e certo, não apenas em religião, mas em todas as filosofias, a importância da bondade, da decência, da integridade? Não deveríamos seguir essas normas? Não precisamos delas? Sem elas, talvez não fôssemos pessoas tão boas.” É verdade, como eu já disse tantas vezes, que a humanidade ainda é muito subdesenvolvida para viver sem leis exteriores. Quando se trata de conduta e atos, essas leis servem de proteção, e representam uma necessidade. Mas é totalmente diferente esperar que vocês estejam totalmente livres de impulsos e emoções negativas, e que rejeitem a si mesmos por isso. Essa não-aceitação de si mesmos como ainda são leva a esconder aquilo que vocês não aprovam. E sempre que a crise traz esse aspecto para fora, vocês assumem uma atitude severa, rígida, moralizante consigo mesmos. Uma coisa é saber que algo está longe da perfeição. Outra coisa é proibir-se de sentir aquilo que não se pode evitar sentir naquele momento, e depois deixar de gostar de tudo que se é – o que acontece com tanta, tanta freqüência – mesmo que vocês não tenham consciência disso.

Enquanto a sua conduta “certa” for motivada por moralização rígida, com base no “bom ou mau”, a bondade ou integridade de vocês não é autêntica. Ela não deriva do entendimento natural e do crescimento interior, mas deriva do medo, do medo que vocês têm de si mesmos, de sua imperfeição. Portanto, essa “bondade” é falsa, não convence nem a vocês nem aos outros. É uma compulsão. E vocês não podem estar na realidade, pois a realidade não pode ser avaliada em termos de bom ou mau. Quando se deixa de lado, as questões muito flagrantes, as fronteiras são sutis, tênues, impossíveis de ser traçadas pelo juízo apressado em termos de bom ou mau. A verdade só pode ser encontrada no âmago de vocês, e não nas leis e normas rígidas que vocês tomam emprestado porque sondar a própria alma deixa vocês muito inseguros. Em vez disso, vocês adotam essas normas que já estão prontas e, no momento em que fazem isso, passam a moralizar.
Qualquer tipo de bondade resultante desse estado é sempre uma imitação pálida e superficial do real. É só por serem inseguros demais para confiar em si mesmos que vocês acham que precisam se guiar por normas e regulamentos. E como vocês fazem isso, não conseguem perder essa insegurança e, ao contrário, ficam cada vez mais inseguros. Isso acontece porque as normas e regulamentos, na maioria, são tão inadequados que não sobra nada em que vocês possam se apoiar. E aí está criado outro círculo vicioso."
(O Guia. Palestra 90: Moralização, reações desproporcionais, necessidades)

Destaquei aqui o trecho da palestra que fala sobre moralização. Como sei que muitos que lerão o blog não estão familiarizados com o pathwork vou esclarecer algo: Aqui o Guia se refere a uma moralização interna. Não está se referindo a dar lição de moral nos outros. srsrs. è mais sobre o que muitas vezes fazemos com nós mesmos.

Para esclarecer melhor vou dar o meu exemplo e já vou contando a minha vivência com essa palestra. Eu era uma dessas pessoas que achava que pessoas boas nunca tinham sentimentos negativos. Ou seja, pessoas boas nunca sentiam raiva, odio, despreso em nenhuma circunstancia.

Para mim pessoas boas eram sempre compreensivas, amorosoas. Bom daí já deu para vocês terem uma noção.

Mas nunca ter emoções negativas é impossível pois as emoções negativas também são partes do ser humano. Mas eu achava que não podia ter. Então exatamente como é dito no trecho dessa palestra toda vez que eu não conseguia reprimir e aparecia a raiva ou qualquer outra emoção considerada negativa. Eu me julgava severamente. E me achava péssima pois queria ser uma pessoa boa e pessoas boas não teriam sentimentos negativos. srsrs. E eu deixava de gostar de mim por completo.

Mas eu percebi que não se pode forçar um sentimento. O Guia tem razão quando tentamos forçar a bondade ela é falsa e nós acabamos desconfiando de nossa própria bondade. Pois até para nós mesmos não soa real, embora nós tentemos nos convencer que sim. srsrs

além do mais no momento que eu comecei a aceitar minhas emoções deixei de ser dominada por elas. Pois assim elas puderam sair do inconsciente e o que está no inconsciente nos domina.

Eu achava que se sentisse raiva sairia batendo em todo mundo. Mas ano passado eu senti e muito. E o que aconteceu foi que aquela raiva toda me empurrou para ação e eu fiz um blog. A raiva superou o medo que eu tinha de me expor. Então no final a raiva me ajudou. srsrs

Nesse momento eu entendi que o problema não é a emoção em si. E sim nossa atitude em relação a elas.

E no momento em que eu sou mais sincera com relação aos meus sentimentos pude ver a bondade real que habita em mim.

2 comentários:

  1. Luciana, acredito que somos todos bons por natureza. Há os que se desviam do caminho do bem e perdem a referência. Mas tão logo retorna a ele, volta ao seu ser natural.
    Um grande abraço!

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  2. Olá!!

    Eu também acredito nisso. Mas nem todos conseguem expressar a bondade natural. Porque muitos não confiam na própria essência

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