quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Expectativas Irrealistas

"Onde quer que a força vital não tenha sido violada, a felicidade - caso você queira escolher essa palavra por falta de uma melhor - a completa harmonia e a paz seriam suas sem as agitações, sem os medos de perdê-la novamente, que a felicidade temporária traz para os seres humanos.

Todos vocês sabem, pelos ensinamentos até agora recebidos, que constantemente violam a lei espiritual dentro de suas almas -- se não com ações, palavras ou pensamentos, pelo menos em suas emoções inconscientes. Sempre que isso acontece, distorcem a força vital que poderia fluir através de vocês. Isso impede que a força vital os reviva. E o que estou a mostrar-lhes neste caminho de autodescoberta é uma forma lenta e gradual -- e não existe forma mais rápida -- para dissolver todas as muralhas, as rochas e as petrificações em seu interior, de modo a permitir que a força vital opere em vocês. Quem quer que haja experimentado mesmo uma ligeira vitória, sobrepujando uma resistência, que tenha encontrado uma verdade ou um reconhecimento dentro de si mesmo, mesmo que pareça ser desagradável, ou mesmo só isso, experimentou um sentimento de paz, de força e de estar vibrantemente vivo até que a próxima obstrução seja enfrentada. Isso deveria ser, para vocês, uma prova viva e deveria ajudá-los a pensar nesses raros momentos para saber que aquilo que eu digo aqui não é apenas uma bela história ou uma teoria remota e abstrata sem aplicação imediata, mas é pura realidade, acessível a qualquer momento de sua escolha, bastando voltar-se para dentro.

As obstruções no interior da sua própria alma só podem existir porque você violou a lei divina de alguma maneira. E quando a lei divina é violada, a força vital não pode operar. Mas a palavra "lei" freqüentemente tem uma conotação errada. A maioria dos seres humanos, quando ouvem essa palavra, reagem emocionalmente de uma forma que nada tem a ver com o sentido que eu lhe empresto. Lei significa –muitas vezes inconscientemente -- algo a que você é forçado ou compelido a obedecer. Como delineei em uma recente palestra, indica uma autoridade que é mais forte que você. Essa associação emocional ligada ao conceito de "lei" é completamente oposta ao seu verdadeiro significado. A lei em seu sentido real e divino não tem qualquer relação com força ou compulsão, muito pelo contrário. Sempre que se introduzem a força e a compulsão, quer venham de dentro ou de fora do seu próprio ser, neste momento a lei divina é violada. Pois a lei divina é liberdade interior. Você só pode obter essa liberdade interior libertando-se dos seus erros. Isso é feito trazendo tais erros para a consciência como primeiro passo inevitável. Somente depois é que você pode libertar-se desses erros. Talvez seja melhor dizer que: ao invés de violar a lei divina, a verdade divina é violada. Pois a verdade é força vital e certamente é a lei divina. Todos vocês sabem, meus amigos, que o caminho no qual eu os conduzo mostra-lhes a verdade sobre vocês mesmos.

"A força vital é regeneração. A força vital petrificada significa degeneração. Sempre que vocês mantêm as suas imagens, suas conclusões errôneas, sua ignorância e os seus erros conscientes e inconscientes, vocês não vivem a verdade e, portanto sufocam a força vital que, entre outros atributos, é uma força de cura -- cura para o seu corpo, para sua mente, sua alma e seu espírito. Caso percebam esse fato, verão que toda doença física é apenas uma reação em cadeia, uma manifestação externa final da obstrução da força vital.

Sempre que você tem tais blocos ou obstruções no interior de sua alma, a única maneira de curar a enfermidade é preparar-se para a recepção adequada da força vital. O primeiro passo é encontrar a inverdade e isso, naturalmente, não é agradável. Esse fato leva muitas pessoas a acreditarem que não pode ser o jeito certo; pensam que, porque o divino é belo, harmonioso e uma experiência de bem-aventurança, vivenciar o oposto de tudo isso é uma indicação de que algo contrário ao Divino tem lugar em suas vidas. Que engano é este, meus amigos! Como podem acreditar, que é possível simplesmente passar ao largo de toda a desarmonia que vocês mesmos plantaram em suas almas e vir a experimentar diretamente a harmonia divina. É preciso que compreendam as causas erradas que vocês puseram em movimento antes que possam verdadeiramente entender a verdade divina. Se vocês plantaram uma planta venenosa no jardim, arruinando todas as plantas boas, é possível livrar-se dela sem segurar essa planta ruim e arrancá-la por seus próprios esforços? Esse trabalho não é exatamente agradável, o veneno pode até mesmo afetá-lo temporariamente enquanto a estão tocando, mas não pode ser evitado. É melhor do que deixar a planta no jardim.

Portanto, é necessário suportar alguma dor de uma forma ou de outra, antes que vocês possam livrar-se daquilo que causa e constantemente causou a dor em seu interior. É preciso distinguir entre dois tipos básicos de dor, meus amigos: a degenerativa e a regenerativa. Mesmo no reino físico existem dois tipos de dor. Há a dor experimentada quando uma pessoa fica doente onde ela sente o sintoma da enfermidade. Neste caso, ela está na curva descendente. E existe um tipo diferente de dor, por vezes até mais aguda, que acompanha o processo de cura ou dor regenerativa. Esse ciclo é uma necessidade, antes que possa ocorrer a cura completa. Esta é então, a curva ascendente. Antes de sofrer uma operação, por exemplo, quando a pessoa fica doente, com freqüência muito antes que ela saiba o que está errado, ela experimenta primeiro um tipo de dor. Subseqüentemente, o seu médico descobre e pode decidir operá-la. No processo de cura ela suporta um tipo completamente diferente de dor. Todos vocês sabem que a ferida não pode curar-se a menos que o pus tenha sido retirado e, nesse estado purificado, os tecidos possam refazer-se. O mesmo se dá com a alma. Não se pode escapar a isso, meus amigos. Você só tem a escolha de, ou permanecer na curva descendente, no estado em que sofre dos sintomas, recusando-se a ir à raiz do problema, ou de reunir coragem, aproximando-se da raiz do mal; abrir a ferida e assim permitir que as forças curativas da natureza se instalem, deixando sair o pus (seus erros e conclusões errôneas), suportando um pouco o tipo de dor que é regenerativa. O corte, a "operação" em si mesma seria o desprazer de encarar o que há de errado em você. Esse é o ponto alto, ou talvez devamos dizer o ponto baixo, antes que a curva ascendente possa começar."
(O guia. Palestra 48: A Força vital no Universo)

O motivo de eu ter colocado o trecho dessa palestra é o seguinte. Eu quando iniciei o meu caminho tive algumas expectativas irrealistas. E eu imagino que outras pessoas tenham essas mesmas expectativas.

Eu achava que quando eu entrasse na ascenção, no despertar, seja lá qual for o nome que você de para a coisa. Todos os meus problemas simplesmente desapareceriam e eu não viveria outra coisas se não paz. Tudo estaria subitamente resolvido tanto internamente quanto externamente.

Mas uma das primeiras coisas que eu percebi é que as coisas não são bem assim. Quando temos um machucado temos de tratar da ferida para ela não infeccionar. E para isso é necessário tocar na ferida mesmo que doa.

Se ignorarmos a ferida com medo de que doa ao toca-la há o risco da ferida infeccionar e assim piorar. O mesmo ocorre no aspecto emocional.

é preciso cuidar, tratar da parte em nós que nos impedi de experimentar a felicidade a harmonia. Porque só poderemos experimentá-las retirando as obstruções. E isso não é feito ao se ignorar a ferida.

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